sábado, 20 de dezembro de 2008
I can't quit you baby .
Sei porque já tentei. Já chorei, já gritei, já jurei ser desta vez e para sempre, já adormeci com a cara salgada pelas lágrimas, os olhos inchados, enquanto dava murros no colchão e te afastava de vez de mim. Deixa-me. Larga-me. Já te pedi tantas vezes. Deixa-me ir. Mas deixa de uma vez. Não voltes atrás. Ontem voltaste a perturbar-me, sabes o que és e o que podes fazer e fazes tão bem as piores coisas quanto quase fazes bem as melhores. Quando fazes. E aqui sentada a olhar as frases para ti escritas na parede... I can't quit you baby. Nunca serei capaz. Mas deixa de me tirar o ar, por favor.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
tira-me daqui.
"Não importa para onde, mas tira-me daqui. Finge que sabes para onde me levas. Mas tira-me daqui. Finge que queres levar-me, mas tira-me daqui. É só até descermos as escadas. É só até à esquina da rua. Depois podes partir, ir à tua vida, não interessa, não tem importância. Mas, por favor, tira-me daqui. Não oiças as perguntas, não queiras saber dos olhares. Só quero mesmo sair a porta e fugir. Tira-me daqui para que eu possa respirar, não vês que morro sufocada? Não vês que minguo na tua frente? Eu sei que tens pena de mim. Por isso, tira-me daqui. Deixa-me chegar à rua e desatar a correr como uma louca, sem destino, sem futuro. Preciso de sentir o vento na cara, a noite fria a lamber-me o corpo e só isso. Não te preocupes comigo. Podes ir. Eu não sei para onde vou e o que é que isso interessa? Também não sei porque estou aqui. Vou direita ao rio. Talvez vá direita ao rio, lá em baixo no cais onde termina o casario, e me sente com o casaco a lamber o chão e as lágrimas a lamberem-me o rosto, e o Tejo a lamber as pedras. Tira-me daqui, por favor. Não me deixes morrer assim, rodeada por uma enorme memória dos tempos em que eu existia. Tira-me daqui que mais nada me interessa e não te vou pedir mais nada, prometo. Quando te voltar a ver, se um dia me cruzar contigo, fingirei que não nos conhecemos poupando-te o desagrado de me olhares. Também não me reconhecerás. Não sei como serei então. Não sei como é o rosto de quem é livre."
Luísa Castel-Branco
Luísa Castel-Branco
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