Não abandonei isto, mudei-me para aqui.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
sábado, 20 de dezembro de 2008
I can't quit you baby .
Sei porque já tentei. Já chorei, já gritei, já jurei ser desta vez e para sempre, já adormeci com a cara salgada pelas lágrimas, os olhos inchados, enquanto dava murros no colchão e te afastava de vez de mim. Deixa-me. Larga-me. Já te pedi tantas vezes. Deixa-me ir. Mas deixa de uma vez. Não voltes atrás. Ontem voltaste a perturbar-me, sabes o que és e o que podes fazer e fazes tão bem as piores coisas quanto quase fazes bem as melhores. Quando fazes. E aqui sentada a olhar as frases para ti escritas na parede... I can't quit you baby. Nunca serei capaz. Mas deixa de me tirar o ar, por favor.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
tira-me daqui.
"Não importa para onde, mas tira-me daqui. Finge que sabes para onde me levas. Mas tira-me daqui. Finge que queres levar-me, mas tira-me daqui. É só até descermos as escadas. É só até à esquina da rua. Depois podes partir, ir à tua vida, não interessa, não tem importância. Mas, por favor, tira-me daqui. Não oiças as perguntas, não queiras saber dos olhares. Só quero mesmo sair a porta e fugir. Tira-me daqui para que eu possa respirar, não vês que morro sufocada? Não vês que minguo na tua frente? Eu sei que tens pena de mim. Por isso, tira-me daqui. Deixa-me chegar à rua e desatar a correr como uma louca, sem destino, sem futuro. Preciso de sentir o vento na cara, a noite fria a lamber-me o corpo e só isso. Não te preocupes comigo. Podes ir. Eu não sei para onde vou e o que é que isso interessa? Também não sei porque estou aqui. Vou direita ao rio. Talvez vá direita ao rio, lá em baixo no cais onde termina o casario, e me sente com o casaco a lamber o chão e as lágrimas a lamberem-me o rosto, e o Tejo a lamber as pedras. Tira-me daqui, por favor. Não me deixes morrer assim, rodeada por uma enorme memória dos tempos em que eu existia. Tira-me daqui que mais nada me interessa e não te vou pedir mais nada, prometo. Quando te voltar a ver, se um dia me cruzar contigo, fingirei que não nos conhecemos poupando-te o desagrado de me olhares. Também não me reconhecerás. Não sei como serei então. Não sei como é o rosto de quem é livre."
Luísa Castel-Branco
Luísa Castel-Branco
domingo, 30 de novembro de 2008
saudades.
Tenho saudades. Saudades das noites de verão. Saudades dos 16 anos, de jurar que nunca ia haver amanhã, que a noite ia continuar assim para sempre na loucura viva de quem sabe sentir e dançar sem ter de provar nada a ninguém. Tenho saudades de sentir, tenho saudades de escrever. A falta que me fazem as manchas de letras que me acorriam nas viagens de comboio. A longa imaginação já não tem saída, as letras fogem, os castelos já não se constroem e ainda se desfazem os que já estavam erguidos. Tenho saudades de rir, de memorizar, de lembrar, de beber todos os segundos do dia e reporta-los deitada na cama na folha branca tão minha, tão eu. Tenho saudades de reconhecer Fernando Pessoa como amigo e vizinho do lado, de cometer loucuras e de cantar a vida. Tenho saudades de ser eu, a de sempre.
domingo, 16 de novembro de 2008
cúmplices?
Desisti há muito tempo do ser humano. Quando tu chegaste, traçava linhas liláses nas fotografias desfocadas que são as minhas memórias. São desfocadas porque assim têm de o ser, porque não importam lembrar. Também em ti descobri caminhos que aprendeste e quiseste desaprender, descobri-te os desvios e vazios. Contudo, sei, e isto sei mesmo porque tentei, nem o ruído dos meus sons vagos alcançam o teu coração. Entendo-te, não tivesse eu resistido sempre de modo igual. Prometi em tempos que jamais voltaria a querer. Prometi que não voltaria a abrir os braços e a sonhar. Mas, sob a luz da lua dou por mim envolta em ti, e sei que quebrei as promessas. Quebraste-mas. As tuas palavras traduzem-se no teu corpo vivo e pulsante, que me altera o vazio da consciência. Que me altera. E, devagar, as absurdidades da alma esquecem-me o corpo cansado. Nada existe para além do escuro em redor, não há mais que os nossos dedos entrelaçados. E, num mundo repleto de mentes e sentires que não reconheço nem sei, não precisas dizer mais nada... Tu sabes-me.
Agora, já não podemos ser cúmplices. Sabemos demasiado um do outro.
Agora, já não podemos ser cúmplices. Sabemos demasiado um do outro.
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
escuro.
Vagueias pela rua, noite posta. Um ou outro carro passa em grandes intervalos, só te sentes parte da realidade pelos candeeiros acesos que iluminam as casas dos passeios, abandonadas. E não entendes, não entendes como se eliminam assim as coisas e deixam-nas ficar abandonadas. O frio corrói, apertas as mãos com mais força dentro do casaco, aconhegas o rosto para mais perto do cachecol. Num momento de subtil traição, os candeeiros apagam-se. Todos. Num mesmo tempo. Andas mais rápido, não queres sentir o inconsciente transportar-te para as incontáveis noites sentado na cama, no escuro, com medo. Dás longos passos e quando te apercebes vais cantando baixinho, foi o que te ensinaram nos primeiros anos para afastar o silêncio e o preto em volta. E de longe aproximam-se faróis, a luz aquece-te um pouco mais. Mas distante de tanta gente que quando te olha só vê as rugas, deparas-te com faróis que te iluminam e só te vêm o medo. Do escuro? Não é do escuro que tens medo.
domingo, 9 de novembro de 2008
8.00 am
Abres-me a porta. São 8 da manhã e estou atrasada para dormir. Vim andando pelas ruas, encostando-me às paredes, tentando fixar o ponto que me ia trazer até ti. Fizeste a cama em tempo record, dizes que arrumaste a casa... Não vi nem pude ver, o peso da noite é grande, muitas horas a olhar para o mesmo sitio, muitas horas a ver o que não deveria ter visto. Deixo o corpo cair lentamente na cama, enquanto as minhas forças (ou falta delas) confirmam-me que não vou acordar amanhã. Estou demasiado cansada já para te poder olhar como deveria... Os olhos fecham-se mas continuo acordada por dentro, inquieta. Sei que me olhas. Só peço que não desapareças... que se acordar amanhã prometo-te então que largo os vicios. Menos o de ti.
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