sábado, 20 de dezembro de 2008

I can't quit you baby .

Sei porque já tentei. Já chorei, já gritei, já jurei ser desta vez e para sempre, já adormeci com a cara salgada pelas lágrimas, os olhos inchados, enquanto dava murros no colchão e te afastava de vez de mim. Deixa-me. Larga-me. Já te pedi tantas vezes. Deixa-me ir. Mas deixa de uma vez. Não voltes atrás. Ontem voltaste a perturbar-me, sabes o que és e o que podes fazer e fazes tão bem as piores coisas quanto quase fazes bem as melhores. Quando fazes. E aqui sentada a olhar as frases para ti escritas na parede... I can't quit you baby. Nunca serei capaz. Mas deixa de me tirar o ar, por favor.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

tira-me daqui.

"Não importa para onde, mas tira-me daqui. Finge que sabes para onde me levas. Mas tira-me daqui. Finge que queres levar-me, mas tira-me daqui. É só até descermos as escadas. É só até à esquina da rua. Depois podes partir, ir à tua vida, não interessa, não tem importância. Mas, por favor, tira-me daqui. Não oiças as perguntas, não queiras saber dos olhares. Só quero mesmo sair a porta e fugir. Tira-me daqui para que eu possa respirar, não vês que morro sufocada? Não vês que minguo na tua frente? Eu sei que tens pena de mim. Por isso, tira-me daqui. Deixa-me chegar à rua e desatar a correr como uma louca, sem destino, sem futuro. Preciso de sentir o vento na cara, a noite fria a lamber-me o corpo e só isso. Não te preocupes comigo. Podes ir. Eu não sei para onde vou e o que é que isso interessa? Também não sei porque estou aqui. Vou direita ao rio. Talvez vá direita ao rio, lá em baixo no cais onde termina o casario, e me sente com o casaco a lamber o chão e as lágrimas a lamberem-me o rosto, e o Tejo a lamber as pedras. Tira-me daqui, por favor. Não me deixes morrer assim, rodeada por uma enorme memória dos tempos em que eu existia. Tira-me daqui que mais nada me interessa e não te vou pedir mais nada, prometo. Quando te voltar a ver, se um dia me cruzar contigo, fingirei que não nos conhecemos poupando-te o desagrado de me olhares. Também não me reconhecerás. Não sei como serei então. Não sei como é o rosto de quem é livre."

Luísa Castel-Branco

domingo, 30 de novembro de 2008

saudades.

Tenho saudades. Saudades das noites de verão. Saudades dos 16 anos, de jurar que nunca ia haver amanhã, que a noite ia continuar assim para sempre na loucura viva de quem sabe sentir e dançar sem ter de provar nada a ninguém. Tenho saudades de sentir, tenho saudades de escrever. A falta que me fazem as manchas de letras que me acorriam nas viagens de comboio. A longa imaginação já não tem saída, as letras fogem, os castelos já não se constroem e ainda se desfazem os que já estavam erguidos. Tenho saudades de rir, de memorizar, de lembrar, de beber todos os segundos do dia e reporta-los deitada na cama na folha branca tão minha, tão eu. Tenho saudades de reconhecer Fernando Pessoa como amigo e vizinho do lado, de cometer loucuras e de cantar a vida. Tenho saudades de ser eu, a de sempre.

domingo, 16 de novembro de 2008

cúmplices?

Desisti há muito tempo do ser humano. Quando tu chegaste, traçava linhas liláses nas fotografias desfocadas que são as minhas memórias. São desfocadas porque assim têm de o ser, porque não importam lembrar. Também em ti descobri caminhos que aprendeste e quiseste desaprender, descobri-te os desvios e vazios. Contudo, sei, e isto sei mesmo porque tentei, nem o ruído dos meus sons vagos alcançam o teu coração. Entendo-te, não tivesse eu resistido sempre de modo igual. Prometi em tempos que jamais voltaria a querer. Prometi que não voltaria a abrir os braços e a sonhar. Mas, sob a luz da lua dou por mim envolta em ti, e sei que quebrei as promessas. Quebraste-mas. As tuas palavras traduzem-se no teu corpo vivo e pulsante, que me altera o vazio da consciência. Que me altera. E, devagar, as absurdidades da alma esquecem-me o corpo cansado. Nada existe para além do escuro em redor, não há mais que os nossos dedos entrelaçados. E, num mundo repleto de mentes e sentires que não reconheço nem sei, não precisas dizer mais nada... Tu sabes-me.

Agora, já não podemos ser cúmplices. Sabemos demasiado um do outro.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

escuro.

Vagueias pela rua, noite posta. Um ou outro carro passa em grandes intervalos, só te sentes parte da realidade pelos candeeiros acesos que iluminam as casas dos passeios, abandonadas. E não entendes, não entendes como se eliminam assim as coisas e deixam-nas ficar abandonadas. O frio corrói, apertas as mãos com mais força dentro do casaco, aconhegas o rosto para mais perto do cachecol. Num momento de subtil traição, os candeeiros apagam-se. Todos. Num mesmo tempo. Andas mais rápido, não queres sentir o inconsciente transportar-te para as incontáveis noites sentado na cama, no escuro, com medo. Dás longos passos e quando te apercebes vais cantando baixinho, foi o que te ensinaram nos primeiros anos para afastar o silêncio e o preto em volta. E de longe aproximam-se faróis, a luz aquece-te um pouco mais. Mas distante de tanta gente que quando te olha só vê as rugas, deparas-te com faróis que te iluminam e só te vêm o medo. Do escuro? Não é do escuro que tens medo.

domingo, 9 de novembro de 2008

8.00 am

Abres-me a porta. São 8 da manhã e estou atrasada para dormir. Vim andando pelas ruas, encostando-me às paredes, tentando fixar o ponto que me ia trazer até ti. Fizeste a cama em tempo record, dizes que arrumaste a casa... Não vi nem pude ver, o peso da noite é grande, muitas horas a olhar para o mesmo sitio, muitas horas a ver o que não deveria ter visto. Deixo o corpo cair lentamente na cama, enquanto as minhas forças (ou falta delas) confirmam-me que não vou acordar amanhã. Estou demasiado cansada já para te poder olhar como deveria... Os olhos fecham-se mas continuo acordada por dentro, inquieta. Sei que me olhas. Só peço que não desapareças... que se acordar amanhã prometo-te então que largo os vicios. Menos o de ti.

sábado, 8 de novembro de 2008

inúmeras vidas.

Espalho pequenos cartões pelo chão na curiosidade extrema de ler tudo aquilo que fui escrevendo e juntando durante dias, meses. São pedaços de dias perdidos, passados. É um rio de letras que cuida de mim e que me acorre sempre que preciso de me lembrar as vidas que já vivi.

"Esta vida já não me pertence. Continuo apenas a vivê-la e a usurpá-la. Antes causava-me ânsias, agora já não me importo..." (adaptado)

"Amanhã pode chover que o dia continuará bonito de se viver!!"

E instintivamente sorrio. Afinal, existem registos de dias optimistas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Led Zeppelin.

Acordei mal disposta. Ou melhor, acordaram-me.
Levantei-me chateada com o mundo, sim. A pensar se valia a pena contar até 10 e dizer bom dia de novo. Mas tava tão chateada que não me queria lembrar sequer como contar até 10. Comi os meus cereais e dirigi-me ao banho. Liguei a música bem alto a ver se deixava de me ouvir interiormente...

Led Zeppellin - Since I've been Loving You

Fiquei estática ao pé da porta do quarto... Quantas não foram as noites. E as manhãs de inverno frias, geladas, que só isto me aquecia. Só me lembra de ti, porque começou em ti, contigo, e dura desde sempre.

baby since I've been lovin' you I'm about to loose my worried mind...

Meu deus, mudas o meu dia com uma facilidade. Aconcheguei-me na música e sorri para o mundo o resto do dia, porque fiquei a ouvi-la o resto do dia. E nos encontrões na faculdade com gentes e gentes desencantei-te no meio duns estudantes apressados. Paraste e deste-me um beijo na minha face gelada, sorriste e foste embora. Mas eu sei que tu sabes que mudas o meu dia quando queres. Que ainda mudas.

"Eu faço-te sorrir quando quiser."

disseste-me há uns meses atrás. Sorri no minuto em que disseste isso e sorrio só de ouvir o teu nome. Hoje foi a música que me lembrou de ti. Alguém comentou no youtube que fazer sexo enquanto se ouve esta música e depois de ter fumado umas é do melhor que há... Não vou opinar, talvez deva ser. Sei que ouvi-la faz-me viver-te. Mas um dia talvez experimente isso.

imóvel.

querido frank,
Tenho estado imóvel ao lado da vida,
vendo-a passar por mim.
Quero mergulhar no rio, quero sentir a corrente.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

mundo estranho.

Uma festa surpresa. Melhores amigos. Um dia agitado. Desilusão. Um não quero saber. Álcool. Uma noite comprida. Desculpas. Um fica comigo para sempre...
Um mergulho no mar, um dia de praia, uma toalha na areia. A 26 de Outubro, em Portugal. Mundo estranho...

agora, são 18 anos. E depois de tudo... Nada.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

turn around.

Vira-te. Vira-te e fixa os olhos na minha direcção...
Não consigo falar. Não consigo emitir nenhum som para de alguma maneira captar a tua atenção.
Just take a look at me.

perturbas-me.

essa tua perfeição ideal perturba os meus dias.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

agonia.


À minha frente jaz um piano - jaz, porque o olho mais inocente consegue entender, a nu, que este perdeu a sua harmonia há muito. Imagino-me a toca-lo, a sua melodia a transportar-me. As teclas, essas, ora estão encravadas ora faltam. Outras, por sua vez, por mais que premidas, não respondem. Surdamente, tentei falar com ele. Translucidamente, fez-me ver que não fazia tenções de me responder. Percebi a sua agonia e deitei-me sobre ele. Agora, já não estávamos sozinhos.
(adaptado)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

hoje já não.


Mas e quando esperamos do mundo e ele não acontece?

e se não esperarmos?

Nada é garantido. Foi quando deixei de esperar. Foi quando deixei de ter certezas que pude finalmente levantar da cama e achar que era eu pelas ruas, a cruzar com as pessoas. Pessoas? Poucas são pessoas. A maioria são vultos que não sabem de si, nem de nada. Esperam...

Hoje eu não sou mais um vulto.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

voltas, muitas voltas.

O despertador de manhã toca sempre muito cedo. Eu sei que já era meio dia, mas era muito cedo. Cedo para quem dormiu pouco. Dormir pouco? Se dormi... Dás-me dores de cabeça. E enjoos matinais. Ou tardais, já não era de manhã. O que fosse. O dia teve de nascer cinzento para me alegrar também. Assim fazemos todos parte dum mundo feliz. Chovia muito, muito, e eu não gosto de correr com chuva. Os all star não agarram o pavimento, assim como os pneus não agarram a estrada se travarmos de repente num chão muito molhado, e estivermos a ir muito rápido. Talvez o mal das pessoas seja andar muito rápido. Não dá tempo de aderir às épocas em que se encontram. Então acabam por nunca se encontrar e as épocas passam e quando muito ficam as memórias. Quando ficam... Que ás vezes passam muito rápido também. Como quando andamos nos carrinhos dos parques de diversões e vemos tudo a girar à nossa volta e queremos agarrar alguma imagem mas não conseguimos. O truque é fixar um ponto. E não perdê-lo. Ensinaram-me um dia. Eu é que não gosto de viver cheia de truques... Lembrar-me deles constantemente é um sacrificio. Ainda assim, não é tão mau quanto ter de ensinar as criancinhas que a fada dos dentes não existe.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Stockholm Syndrome


Stockholm Syndrome :

–noun Psychiatry.
an emotional attachment to a captor formed by a hostage as a result of continuous stress, dependence, and a need to cooperate for survival.

[Origin: after an incident in Stockholm in 1973, during which a bank employee became romantically attached to a robber who held her hostage]

and also

n. A phenomenon in which a hostage begins to identify with and grow sympathetic to his or her captor.

O ser humano é uma criatura incrivel. É fantástica a capacidade que temos de desenvolver sentimentos com alguém que nos torna prisioneiros de si próprio, e nos trata como bem quer.
Impressionante.

sábado, 4 de outubro de 2008

e se eu gostasse muito que ficasses?


No vai e vem desta rotina diária que me gasta toda a energia, sei, e isto sei-o mesmo, que és a força dos meus dias.

"Aguenta a pressão"

Queres-me fazer acreditar que consigo, que posso. Não posso. Não sem ti. Não sem me deitar de noite e saber que estás ali. E sabes que me afliges quando te levantas.

"Amor! Onde é que vais?"
"A lado nenhum... E pretendo ficar aqui por muito tempo."

Estás escrito em mim.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

não percebo, não...


É só porque já não é a primeira vez. Já observei como te afastas cada vez que me vês exuberantemente feliz, entusiasmada, excitada, simplesmente feliz. Já reparei como te afecta a minha descontracção, o meu sorriso, a minha paixão pelo mundo. Seria pois de esperar que preferisses ver-me triste então, em baixo, com falta de alguma coisa, com saudades, a querer algo mais. Para quê? Para me poderes agarrar e proteger? Para dar mimos? Mas também não... Porque quando me vês assim foges. Não consegues estar perto de mim, ficas nervoso. Ficas impaciente, passas a mão pelo cabelo, olhas pela janela contrária, dizes que estás atrasado e vais-te embora. E é quando não vens, quando percebes previamente que estou assim. Não percebo. Porque é que as pessoas não ficam felizes com a felicidade dos outros? Ninguém gosta de gente feliz, mas também ninguém quer estar ao lado de gente infeliz.

domingo, 28 de setembro de 2008

quem?


Mas quem é que se importa? O que é que interessa que te tenhas ido embora? O que é que interessa se o céu hoje nasceu azul ou cinzento, ou se pôs laranja e não cor de rosa? Quem nota que as portas se fecharam todas e não abrem por dentro, nem muito menos por fora, nem parecem mais ser portas? Alguém parece ter olhado para a janela para ver se batia raios de sol ou caíam pingos de chuva? Não. Ninguém notou. Ninguém te notou. WHO CARES? No one fucking cares here. Não, ninguém viu que tiraste as tuas palavras. Ninguém notou se passou a estar frio ou calor, ninguém reparou quantos comboios perdeu entretanto, se os perdeu, ninguém contou quantos pequenos almoços comeu desde então. Tu não existes, e com aquilo que não existe ninguém se importa. E ainda que existisses, o que é que isso importaria?

Não faz diferença errar uma nota na guitarra, nem deixar mais um passo na areia, nem fazer permancer o silêncio um pouco mais, nem gritar mais alto do que devia.

Sei lá, já não faz diferença.

Quem é que se importa? Aqui, ninguém.

sábado, 27 de setembro de 2008

sou muito mais.


Na verdade, pensando bem, eu nunca seria capaz de te amar da maneira que tu mereces.

Porque tu, simplesmente, não mereces.

E eu não sei amar pela metade...

Sou mais do que aquilo que fizeste de mim. We're done.
.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

don't want.


We love each other.

But deep down...

I miss him.

And he misses her.

We stay together because...

they don't want us.

FACULDADE

COLOCADA!

oficialmente caloira, portanto.

estou feliz.

tu vens eu vou, eu vou tu vais.


Fujo-te.
Fujo-te quando vens.
Fujo-te quando me tentas agarrar com palavras.
Assustam-me as expressões, assustam-me os para sempre.
Aterrorizam-me os amo-te.
Fujo, corro, desapareço.
Escondo-me.
E volto a correr para ti...
Foges.
Já não queres.
Recusas.
Ignoras.
Mudas de assunto, ausentas-te.
Enfrieces e tiras-me a cor dos dias.
Como se me roubasses doces...
Escondes-te.
E voltas para mim.
E eu fujo-te.
Não, eu não sei o que quero.
Tão pouco o sabes tu...
Não, não sei quem sou, e não sei quem és.
Ás vezes... quero-te.
Ás vezes preciso de te fugir.
Também tu me foges...

domingo, 21 de setembro de 2008

o outro lado do espelho.


Pegou em peças de roupa, apressada. Numa agonia enorme de depositar nelas toda a angústia, para que elas pudessem absorver toda a frustração, toda a falta que sentia de algo mais completo, de algo mais certo e definido. Sem vida, mais valia correr pelas lojas, entrar, sair, olhar as roupas, pegá-las, experimentá-las. Roupas novas, roupas que não eram dela, roupas que cheiravam a novo, roupas que não lhe diziam na cara quem ela era. Roupas que lhe davam outro ar, que não a denunciavam. Ah, e como ela as adorava! Entrou nos provadores, com não mais do que seis peças. Uma de cada vez entrava e saía pela cabeça, despenteava-a, deixava-a com calor. E caíam bem. Caíam-lhe, simplesmente, bem. Olhou o espelho e ficou a observar a rapariga do outro lado. Parecia-lhe familiar, mas de certo não seria. Parecida com a mãe? Não, parecida com a mãe não era. Talvez alguns traços, mas não, não tinha a cara da mãe. Com o pai? Não, não era de todo parecida com o pai. Nem nada ali fazia lembrar os avós ou os irmãos ou ela mesmo, quando se tinha olhado ao espelho pela última vez com o intuito de se ver realmente, e não simplesmente se ver.

"Cresceste"

Por um instante pensou ter sido o espelho a gritar-lhe. Se tinha crescido? Provavelmente. O que quer que tenha sido, gostava. Passou minutos atrás de minutos absorta naquela deliciosa imagem no espelho. Não se parecia com nada que tinha sido e conhecido até então, e gostava da rapariga do outro lado do espelho.
Lentamente, a rapariga do outro lado foi desvanecendo. Não fazia tenções de se dar a conhecer. Tirando, peça por peça de roupa, desapareceu tão rapidamente quanto tinha aparecido. Não deixou morada nem disse se voltava. Não deixou promessas, não deixou certezas, nem segurança. Deixou um simples fascinio, e uma enorme vontade de ser vista de novo. A rapariga do lado de cá pegou nas seis peças de roupa e saiu do provador. Volta lá amanhã e espera encontrá-la. E algum dia espera poder vê-la todos os dias, em todos os espelhos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

como é que te chamas?


Estou sentada no chão do quarto escuro com o intuito de sentir o frio do chão. Faz-me sentir um pouco viva dado que de tanto sentir emoções, acho que já nem as sinto. Mas o frio torna-se numa percepção agradavelmente desagradavel, porque posso senti-lo. Penso em buscar uma manta, ou uma camisola, mas deixo estar assim. Esta sou eu, sentada no chão do quarto, contigo junto a mim. Ás vezes penso que seria tão mais fácil se simplesmente te odiasse, ou se fosse tão simples quanto virar uma página e esquecer o teu nome. O tempo lá fora está cinzento. E mesmo que não estivesse literalmente cinzento, estaria. São assim todos os dias longe de ti. Ainda que tu não o compreendas, ainda que tu não saibas de que cor pincelo os dias em que não estou contigo, ainda que nunca o vás querer saber. Pego no diário que vê nele todos as cartas para ti, e viro a folha. Concentro-me na nova folha em branco. Como é que te chamas?

sábado, 13 de setembro de 2008

de ti, dizem que és vicio.


Ela perde-se todas as noites. Manhãs não tem, manhãs usa-as para andar mergulhada num mundo eterno de sonhos onde sabe que tudo vai correr bem. As tardes usa-as para contar minutos e segundos, para poder passar o tempo. Como quem conta carros à janela, como quem conta quantas gaivotas vê na praia. Ela conta as horas. Ela conta as horas porque anseia pela noite. Quando fica escuro, ela sabe que o encontra. Ela sabe que ele a ama quando o mundo dorme. Quando o mundo não pode ver que ele a ama. Quando só existe ele mesmo, com ela. E ela perde-se nos braços dele, e nas palavras tão subtilmente escritas no ar, como promessas, como contratos. Guarda o cheiro dele, porque quando ele se vai é so o que fica, entranhado na pele. Tenta guardar as palavras, tenta reter os minutos com ele mas tudo se vai. E de manhã ela sonha com ele. E de tarde devora os minutos e os segundos para que passem mais rápidos e caia o pano escuro de novo, para que ele a possa envolver nos braços outra vez. Ela vive para isso.

"deixa-o. larga isso duma vez. é um vicio."

Ela sabe. Mas e então?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

eles são invisiveis...



22h.22m

Começava a ficar impaciente. O metro nunca mais aparecia e apetecia-me gritar aos senhores que tinha de apanhar um comboio as 22h.30m e agradecia que se despachassem! Fui ver-te, é claro que fui ver-te. Pouco me importa a hora de caminho... hoje precisava mesmo de te ver.

22h.23m

Apareceu o metro. Obrigada por me ouvirem, senhores.

22h.25m

Sempre gostei de observar as pessoas a deixarem o metro. Vêm apressadas, vêm com os casacos vestidos, com pastas na mão, mala a tiracolo, velhos, jovens, gordos, altos, magros, com muita roupa amarela, com a gabardine preta até aos joelhos. E vêm de onde? E vão para onde? Gosto sempre de imaginar. Hoje não tinha tempo... Sai disparada do metro sugando os 5minutos que me restavam para comprar um bilhete e meter-me no comboio...

22h.30m

Em pé, cansada, os saltos a vingarem-se de mim, parti no comboio.
Triste, parcialmente triste. Mais triste ainda por não saber o porquê de estar triste! Mergulhada no meu egocentrismo, levantei de repente a cabeça encostada à janela mesmo a tempo de vê-LO. Vinha de muletas. Calças rasgadas, camisa quadriculada, casaco gasto, sem cor, muito largo, barba por fazer à anos e anos, cabelo sujo, cinzento. Poucos dentes, pele envelhecida, e o olhar... Olhar? Não lhe vi olhar... acho que morreu e ninguém lhe disse. Vinha pedindo um pequenino auxilio... e as pessoas?! Ninguém olha. Ele é invisivel. Fui invadida por uma enorme vontade de me levantar e dar-lhe tudo o que tinha na carteira e dizer "tome, tome que você não é invisivel". Não o fiz. Cheirava a álcool... E num segundo pensei que estaria a contribuir para uma garrafinha de vodka e voltei a colar a cabeça na janela. Ele era invisivel. Abri muito os olhos para me impedir de chorar. Afinal, eu sou isto. Um produto da sociedade. Igual a tantos outros, a todos.

Até quando é que vamos fingir que eles não existem?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

romance.

When one is love, one always begins by deceiving one's self, and one always ends by deceiving others. That is what the world calls a romance.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

hoje caiu-me o coração.


" Formas de gostar. : 9/Set/2008

Eu sei tudo aquilo que possas imaginar que desconheço, sei de que forma gostas de mim, sei de que forma me ves e tambem sei o que pensas de nós! E o que podemos dar! Mas porque insistes em gostar e odiar-me tanto? Experimenta gostar de mim como amigo, experimenta ver-me como teu fiel, experimenta pensar que nunca te falho, ou simplesmente que sou um homem na tua vida e nao o homem da tua vida. O fruto proibido é o mais apetecido, eu sei...mas tudo será melhor! "

Hoje caiu-me o coração quando li isto no teu diário. Falha-me a coragem para te perguntar se foi direccionado a mim. Tenho mais medo da resposta do que fazer a pergunta. Sinto-me submersa num turbilhão de emoções que não me deixam virar para lado nenhum. Apetece-me estender uma manta no chão e ficar ali, deitada, sem fazer nada. Encolhida, com medo, sem querer ouvir, sem querer saber, sem querer perceber. Mas não, não me vais fazer chorar. Se tiveres de partir, parte. Mas parte duma vez. Já me devias conhecer o suficiente para saber que não me vou perder se não tiver a luz do teu farol. Aliás, o caminho que segui contigo, foi, de longe, o mais desconhecido por onde já me enveredei. Quem sabe, esteja na altura de me encontrar.

Esta falta de comunicação entre nós está a consumir-me.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

se tivesses sempre tempo...


"Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. (...) É mais fácil esperar do que desistir"

(adaptado)


Desistir não é dar um passo atrás, é nunca mais andar. E a mim ainda não me apetece nunca mais andar do teu lado. Apetece?


Estou tão confusa.

é até ao dia.

"Ainda bem que agora posso ver-te mais vezes, é so ir ter ao teu trabalho"
"Pois. Com uma enorme trabalheira..."
"Nada disso!"
"É sim."
"Se não valesse a pena eu não iria..."
"Daqui a 2 meses já nem me falas amor."
"Por mais dificil que as coisas sejam entre nós, por mais que haja dias em que parece que foi-se tudo, eu não desisto das coisas que realmente gosto. Até porque é mais fácil esperar do que desistir..."
"Pois. Até ao dia."

Até ao dia, disseste tu. Não posso esconder que me chateia quando falas nisto. Quando falas na tua certeza de que tudo será passageiro. Quase que me fazes acreditar, sabes. Mostras uma convicção tão enorme no que dizes que me ponho às vezes a pensar que tens tanta certeza disso porque estás empenhado nisso. Ou se não estás empenhado nisso, digamos que não estás empenhado em fazer pelo contrário também. Hoje é daqueles dias em que me parece que foi-se tudo, assim como ontem também foi. Se amanhã for igual, talvez o dia que tanto falas não esteja assim tão longe. As coisas duram o tempo que fizermos por elas durarem. Fizermos. Eu. Tu. Nós. Quando já não existir um nós, deixa-me ser a primeira a saber, por favor. Prometo que te largo da mão e deixo-te ir. Mas tens de me deixar saber. Hoje vou deitar-me com o mesmo amor por ti, com a mesma vontade de sobreviver a isto, por mais dificil que seja. Com a mesma convicção de que custe o que custar, não desisto. Eu espero.
É até ao dia.

domingo, 7 de setembro de 2008

não é "se", é "quando"...

"Consome-me já uma saudade melancólica, a falta que se sente de alguém que se sabe que se vai perder, mesmo que ainda não o tendo, de facto, perdido, e ainda o tendo nos braços"
(adaptado)

A pergunta que me atinge todos os dias não é se vou perder-te. É quando.

eu até entendo, só que...


Eu até entendo que não me ames. Entendo que não podes amar-me porque não sou aquilo que querias. Entendo que o queiras fazer, mas não consigas, porque não é assim que gostarias que eu fosse. Só não entendo que não possas amar-me pelo esforço que faço para ser assim, como tu desejarias. Nunca há-de chegar. Nunca há-de ser suficientemente... bom.

sábado, 6 de setembro de 2008

Hoje é sábado


Espero ansiosamente o fim destas noites sempre sozinha, sempre sem ti. O lugar que há-de ser teu para sempre continua ali, e por vezes sinto até que preciso de dormir longe dele, para esquecer a tua ausência tão presente, ou talvez a tua presença tão ausente.


Hoje é sábado. Sábado eram as noites de loucura. Ao sábado havia a lei de chegar a casa só as 8 da manhã, sem sequer lembrar como, e morrer no sofá, na roupa da noite. Os sábados deixaram de ser sábados e passaram a ser bonitos domingos desde que apareceste. Todos os dias contigo são lindos domingos.


Hoje é sábado e tu não estás aqui, e hoje vou lembrar como era a vida antes de tu existires no meu mundo. Hoje preciso de dormir longe da cama onde mora o lugar que é teu para sempre.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

o que a gente precisa é tomar um banho de chuva


Já tinha saudades das ruas de lisboa encharcadas pela chuva. Trouxe recordações que me soaram tão boas que dei por mim a perceber que eu não tinha a minima ideia de que era tão feliz, naqueles tempos. Tempo de Dezembro, de correr de telhado a telhado, para abrigar da chuva, para não encharcar mais um pouco o cabelo, para não colar ainda mais a roupa ao corpo. E depois parava em frente às montras da Almirante Reis e via o meu reflexo, e ria-me perdidamente, e adorava aquela imagem. O cabelo colado na cara, selvagenmente despenteado, as calças de ganga mais escuras do que me lembrava que elas realmente eram, o casaco a ceder e a ficar lentamente, também ele, encharcado. Não era desagradável. Corríamos, eu e ela, a melhor amiga, que nem perdidas pelas ruas, tentado evitar as poças mas sempre acabando em cima delas, a sentir as meias ensopadas dentro dos all stars. E parávamos e riamos e comentávamos as tuas reacções se me visses assim. Tenho a certeza que terias gostado, também tu gostavas da chuva, tanto ou mais do que eu. Hoje, não se trata mais de ti. Não te substitui, nunca te substitui. Sabes que ficaste e tenho pena que te feches em todas as copas e não me dês a oportunidade de falar sobre o outro. E tu sabes que eu preciso de falar. E tu sabes também o que dirias, que ele não é para mim. Talvez eu também o saiba...

Apesar de já não se tratar mais de ti, hoje lembrei-me e hoje fizeste-me falta.
Tu e a chuva andam sempre juntos de mãos dadas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

21 and invincible

"21 and Invincible", they said.

Só não sei ao certo se invencivel por ti próprio ou se invencivel por tudo o que tens conseguido obter do sentimento todos os dias te oferecido e que tu, tão subtilmente, não fazes caso. Não entendo a tua indiferença, vingança não será, afinal de contas, castiga-las a elas, a todas as outras, não passa por mim. Enquanto isso vou aceitando e somando todas as tuas friezas, esperando, pacientemente, que um dia olhes para mim e percebas tudo o que não fizeste.

deixo-te os parabéns e lamento, uma vez mais, a tua ausência.