segunda-feira, 29 de setembro de 2008

não percebo, não...


É só porque já não é a primeira vez. Já observei como te afastas cada vez que me vês exuberantemente feliz, entusiasmada, excitada, simplesmente feliz. Já reparei como te afecta a minha descontracção, o meu sorriso, a minha paixão pelo mundo. Seria pois de esperar que preferisses ver-me triste então, em baixo, com falta de alguma coisa, com saudades, a querer algo mais. Para quê? Para me poderes agarrar e proteger? Para dar mimos? Mas também não... Porque quando me vês assim foges. Não consegues estar perto de mim, ficas nervoso. Ficas impaciente, passas a mão pelo cabelo, olhas pela janela contrária, dizes que estás atrasado e vais-te embora. E é quando não vens, quando percebes previamente que estou assim. Não percebo. Porque é que as pessoas não ficam felizes com a felicidade dos outros? Ninguém gosta de gente feliz, mas também ninguém quer estar ao lado de gente infeliz.

domingo, 28 de setembro de 2008

quem?


Mas quem é que se importa? O que é que interessa que te tenhas ido embora? O que é que interessa se o céu hoje nasceu azul ou cinzento, ou se pôs laranja e não cor de rosa? Quem nota que as portas se fecharam todas e não abrem por dentro, nem muito menos por fora, nem parecem mais ser portas? Alguém parece ter olhado para a janela para ver se batia raios de sol ou caíam pingos de chuva? Não. Ninguém notou. Ninguém te notou. WHO CARES? No one fucking cares here. Não, ninguém viu que tiraste as tuas palavras. Ninguém notou se passou a estar frio ou calor, ninguém reparou quantos comboios perdeu entretanto, se os perdeu, ninguém contou quantos pequenos almoços comeu desde então. Tu não existes, e com aquilo que não existe ninguém se importa. E ainda que existisses, o que é que isso importaria?

Não faz diferença errar uma nota na guitarra, nem deixar mais um passo na areia, nem fazer permancer o silêncio um pouco mais, nem gritar mais alto do que devia.

Sei lá, já não faz diferença.

Quem é que se importa? Aqui, ninguém.

sábado, 27 de setembro de 2008

sou muito mais.


Na verdade, pensando bem, eu nunca seria capaz de te amar da maneira que tu mereces.

Porque tu, simplesmente, não mereces.

E eu não sei amar pela metade...

Sou mais do que aquilo que fizeste de mim. We're done.
.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

don't want.


We love each other.

But deep down...

I miss him.

And he misses her.

We stay together because...

they don't want us.

FACULDADE

COLOCADA!

oficialmente caloira, portanto.

estou feliz.

tu vens eu vou, eu vou tu vais.


Fujo-te.
Fujo-te quando vens.
Fujo-te quando me tentas agarrar com palavras.
Assustam-me as expressões, assustam-me os para sempre.
Aterrorizam-me os amo-te.
Fujo, corro, desapareço.
Escondo-me.
E volto a correr para ti...
Foges.
Já não queres.
Recusas.
Ignoras.
Mudas de assunto, ausentas-te.
Enfrieces e tiras-me a cor dos dias.
Como se me roubasses doces...
Escondes-te.
E voltas para mim.
E eu fujo-te.
Não, eu não sei o que quero.
Tão pouco o sabes tu...
Não, não sei quem sou, e não sei quem és.
Ás vezes... quero-te.
Ás vezes preciso de te fugir.
Também tu me foges...

domingo, 21 de setembro de 2008

o outro lado do espelho.


Pegou em peças de roupa, apressada. Numa agonia enorme de depositar nelas toda a angústia, para que elas pudessem absorver toda a frustração, toda a falta que sentia de algo mais completo, de algo mais certo e definido. Sem vida, mais valia correr pelas lojas, entrar, sair, olhar as roupas, pegá-las, experimentá-las. Roupas novas, roupas que não eram dela, roupas que cheiravam a novo, roupas que não lhe diziam na cara quem ela era. Roupas que lhe davam outro ar, que não a denunciavam. Ah, e como ela as adorava! Entrou nos provadores, com não mais do que seis peças. Uma de cada vez entrava e saía pela cabeça, despenteava-a, deixava-a com calor. E caíam bem. Caíam-lhe, simplesmente, bem. Olhou o espelho e ficou a observar a rapariga do outro lado. Parecia-lhe familiar, mas de certo não seria. Parecida com a mãe? Não, parecida com a mãe não era. Talvez alguns traços, mas não, não tinha a cara da mãe. Com o pai? Não, não era de todo parecida com o pai. Nem nada ali fazia lembrar os avós ou os irmãos ou ela mesmo, quando se tinha olhado ao espelho pela última vez com o intuito de se ver realmente, e não simplesmente se ver.

"Cresceste"

Por um instante pensou ter sido o espelho a gritar-lhe. Se tinha crescido? Provavelmente. O que quer que tenha sido, gostava. Passou minutos atrás de minutos absorta naquela deliciosa imagem no espelho. Não se parecia com nada que tinha sido e conhecido até então, e gostava da rapariga do outro lado do espelho.
Lentamente, a rapariga do outro lado foi desvanecendo. Não fazia tenções de se dar a conhecer. Tirando, peça por peça de roupa, desapareceu tão rapidamente quanto tinha aparecido. Não deixou morada nem disse se voltava. Não deixou promessas, não deixou certezas, nem segurança. Deixou um simples fascinio, e uma enorme vontade de ser vista de novo. A rapariga do lado de cá pegou nas seis peças de roupa e saiu do provador. Volta lá amanhã e espera encontrá-la. E algum dia espera poder vê-la todos os dias, em todos os espelhos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

como é que te chamas?


Estou sentada no chão do quarto escuro com o intuito de sentir o frio do chão. Faz-me sentir um pouco viva dado que de tanto sentir emoções, acho que já nem as sinto. Mas o frio torna-se numa percepção agradavelmente desagradavel, porque posso senti-lo. Penso em buscar uma manta, ou uma camisola, mas deixo estar assim. Esta sou eu, sentada no chão do quarto, contigo junto a mim. Ás vezes penso que seria tão mais fácil se simplesmente te odiasse, ou se fosse tão simples quanto virar uma página e esquecer o teu nome. O tempo lá fora está cinzento. E mesmo que não estivesse literalmente cinzento, estaria. São assim todos os dias longe de ti. Ainda que tu não o compreendas, ainda que tu não saibas de que cor pincelo os dias em que não estou contigo, ainda que nunca o vás querer saber. Pego no diário que vê nele todos as cartas para ti, e viro a folha. Concentro-me na nova folha em branco. Como é que te chamas?

sábado, 13 de setembro de 2008

de ti, dizem que és vicio.


Ela perde-se todas as noites. Manhãs não tem, manhãs usa-as para andar mergulhada num mundo eterno de sonhos onde sabe que tudo vai correr bem. As tardes usa-as para contar minutos e segundos, para poder passar o tempo. Como quem conta carros à janela, como quem conta quantas gaivotas vê na praia. Ela conta as horas. Ela conta as horas porque anseia pela noite. Quando fica escuro, ela sabe que o encontra. Ela sabe que ele a ama quando o mundo dorme. Quando o mundo não pode ver que ele a ama. Quando só existe ele mesmo, com ela. E ela perde-se nos braços dele, e nas palavras tão subtilmente escritas no ar, como promessas, como contratos. Guarda o cheiro dele, porque quando ele se vai é so o que fica, entranhado na pele. Tenta guardar as palavras, tenta reter os minutos com ele mas tudo se vai. E de manhã ela sonha com ele. E de tarde devora os minutos e os segundos para que passem mais rápidos e caia o pano escuro de novo, para que ele a possa envolver nos braços outra vez. Ela vive para isso.

"deixa-o. larga isso duma vez. é um vicio."

Ela sabe. Mas e então?

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

eles são invisiveis...



22h.22m

Começava a ficar impaciente. O metro nunca mais aparecia e apetecia-me gritar aos senhores que tinha de apanhar um comboio as 22h.30m e agradecia que se despachassem! Fui ver-te, é claro que fui ver-te. Pouco me importa a hora de caminho... hoje precisava mesmo de te ver.

22h.23m

Apareceu o metro. Obrigada por me ouvirem, senhores.

22h.25m

Sempre gostei de observar as pessoas a deixarem o metro. Vêm apressadas, vêm com os casacos vestidos, com pastas na mão, mala a tiracolo, velhos, jovens, gordos, altos, magros, com muita roupa amarela, com a gabardine preta até aos joelhos. E vêm de onde? E vão para onde? Gosto sempre de imaginar. Hoje não tinha tempo... Sai disparada do metro sugando os 5minutos que me restavam para comprar um bilhete e meter-me no comboio...

22h.30m

Em pé, cansada, os saltos a vingarem-se de mim, parti no comboio.
Triste, parcialmente triste. Mais triste ainda por não saber o porquê de estar triste! Mergulhada no meu egocentrismo, levantei de repente a cabeça encostada à janela mesmo a tempo de vê-LO. Vinha de muletas. Calças rasgadas, camisa quadriculada, casaco gasto, sem cor, muito largo, barba por fazer à anos e anos, cabelo sujo, cinzento. Poucos dentes, pele envelhecida, e o olhar... Olhar? Não lhe vi olhar... acho que morreu e ninguém lhe disse. Vinha pedindo um pequenino auxilio... e as pessoas?! Ninguém olha. Ele é invisivel. Fui invadida por uma enorme vontade de me levantar e dar-lhe tudo o que tinha na carteira e dizer "tome, tome que você não é invisivel". Não o fiz. Cheirava a álcool... E num segundo pensei que estaria a contribuir para uma garrafinha de vodka e voltei a colar a cabeça na janela. Ele era invisivel. Abri muito os olhos para me impedir de chorar. Afinal, eu sou isto. Um produto da sociedade. Igual a tantos outros, a todos.

Até quando é que vamos fingir que eles não existem?

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

romance.

When one is love, one always begins by deceiving one's self, and one always ends by deceiving others. That is what the world calls a romance.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

hoje caiu-me o coração.


" Formas de gostar. : 9/Set/2008

Eu sei tudo aquilo que possas imaginar que desconheço, sei de que forma gostas de mim, sei de que forma me ves e tambem sei o que pensas de nós! E o que podemos dar! Mas porque insistes em gostar e odiar-me tanto? Experimenta gostar de mim como amigo, experimenta ver-me como teu fiel, experimenta pensar que nunca te falho, ou simplesmente que sou um homem na tua vida e nao o homem da tua vida. O fruto proibido é o mais apetecido, eu sei...mas tudo será melhor! "

Hoje caiu-me o coração quando li isto no teu diário. Falha-me a coragem para te perguntar se foi direccionado a mim. Tenho mais medo da resposta do que fazer a pergunta. Sinto-me submersa num turbilhão de emoções que não me deixam virar para lado nenhum. Apetece-me estender uma manta no chão e ficar ali, deitada, sem fazer nada. Encolhida, com medo, sem querer ouvir, sem querer saber, sem querer perceber. Mas não, não me vais fazer chorar. Se tiveres de partir, parte. Mas parte duma vez. Já me devias conhecer o suficiente para saber que não me vou perder se não tiver a luz do teu farol. Aliás, o caminho que segui contigo, foi, de longe, o mais desconhecido por onde já me enveredei. Quem sabe, esteja na altura de me encontrar.

Esta falta de comunicação entre nós está a consumir-me.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

se tivesses sempre tempo...


"Quando se ama alguém tem-se sempre tempo para essa pessoa. E se ela não vem ter connosco, nós esperamos. (...) É mais fácil esperar do que desistir"

(adaptado)


Desistir não é dar um passo atrás, é nunca mais andar. E a mim ainda não me apetece nunca mais andar do teu lado. Apetece?


Estou tão confusa.

é até ao dia.

"Ainda bem que agora posso ver-te mais vezes, é so ir ter ao teu trabalho"
"Pois. Com uma enorme trabalheira..."
"Nada disso!"
"É sim."
"Se não valesse a pena eu não iria..."
"Daqui a 2 meses já nem me falas amor."
"Por mais dificil que as coisas sejam entre nós, por mais que haja dias em que parece que foi-se tudo, eu não desisto das coisas que realmente gosto. Até porque é mais fácil esperar do que desistir..."
"Pois. Até ao dia."

Até ao dia, disseste tu. Não posso esconder que me chateia quando falas nisto. Quando falas na tua certeza de que tudo será passageiro. Quase que me fazes acreditar, sabes. Mostras uma convicção tão enorme no que dizes que me ponho às vezes a pensar que tens tanta certeza disso porque estás empenhado nisso. Ou se não estás empenhado nisso, digamos que não estás empenhado em fazer pelo contrário também. Hoje é daqueles dias em que me parece que foi-se tudo, assim como ontem também foi. Se amanhã for igual, talvez o dia que tanto falas não esteja assim tão longe. As coisas duram o tempo que fizermos por elas durarem. Fizermos. Eu. Tu. Nós. Quando já não existir um nós, deixa-me ser a primeira a saber, por favor. Prometo que te largo da mão e deixo-te ir. Mas tens de me deixar saber. Hoje vou deitar-me com o mesmo amor por ti, com a mesma vontade de sobreviver a isto, por mais dificil que seja. Com a mesma convicção de que custe o que custar, não desisto. Eu espero.
É até ao dia.

domingo, 7 de setembro de 2008

não é "se", é "quando"...

"Consome-me já uma saudade melancólica, a falta que se sente de alguém que se sabe que se vai perder, mesmo que ainda não o tendo, de facto, perdido, e ainda o tendo nos braços"
(adaptado)

A pergunta que me atinge todos os dias não é se vou perder-te. É quando.

eu até entendo, só que...


Eu até entendo que não me ames. Entendo que não podes amar-me porque não sou aquilo que querias. Entendo que o queiras fazer, mas não consigas, porque não é assim que gostarias que eu fosse. Só não entendo que não possas amar-me pelo esforço que faço para ser assim, como tu desejarias. Nunca há-de chegar. Nunca há-de ser suficientemente... bom.

sábado, 6 de setembro de 2008

Hoje é sábado


Espero ansiosamente o fim destas noites sempre sozinha, sempre sem ti. O lugar que há-de ser teu para sempre continua ali, e por vezes sinto até que preciso de dormir longe dele, para esquecer a tua ausência tão presente, ou talvez a tua presença tão ausente.


Hoje é sábado. Sábado eram as noites de loucura. Ao sábado havia a lei de chegar a casa só as 8 da manhã, sem sequer lembrar como, e morrer no sofá, na roupa da noite. Os sábados deixaram de ser sábados e passaram a ser bonitos domingos desde que apareceste. Todos os dias contigo são lindos domingos.


Hoje é sábado e tu não estás aqui, e hoje vou lembrar como era a vida antes de tu existires no meu mundo. Hoje preciso de dormir longe da cama onde mora o lugar que é teu para sempre.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

o que a gente precisa é tomar um banho de chuva


Já tinha saudades das ruas de lisboa encharcadas pela chuva. Trouxe recordações que me soaram tão boas que dei por mim a perceber que eu não tinha a minima ideia de que era tão feliz, naqueles tempos. Tempo de Dezembro, de correr de telhado a telhado, para abrigar da chuva, para não encharcar mais um pouco o cabelo, para não colar ainda mais a roupa ao corpo. E depois parava em frente às montras da Almirante Reis e via o meu reflexo, e ria-me perdidamente, e adorava aquela imagem. O cabelo colado na cara, selvagenmente despenteado, as calças de ganga mais escuras do que me lembrava que elas realmente eram, o casaco a ceder e a ficar lentamente, também ele, encharcado. Não era desagradável. Corríamos, eu e ela, a melhor amiga, que nem perdidas pelas ruas, tentado evitar as poças mas sempre acabando em cima delas, a sentir as meias ensopadas dentro dos all stars. E parávamos e riamos e comentávamos as tuas reacções se me visses assim. Tenho a certeza que terias gostado, também tu gostavas da chuva, tanto ou mais do que eu. Hoje, não se trata mais de ti. Não te substitui, nunca te substitui. Sabes que ficaste e tenho pena que te feches em todas as copas e não me dês a oportunidade de falar sobre o outro. E tu sabes que eu preciso de falar. E tu sabes também o que dirias, que ele não é para mim. Talvez eu também o saiba...

Apesar de já não se tratar mais de ti, hoje lembrei-me e hoje fizeste-me falta.
Tu e a chuva andam sempre juntos de mãos dadas.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

21 and invincible

"21 and Invincible", they said.

Só não sei ao certo se invencivel por ti próprio ou se invencivel por tudo o que tens conseguido obter do sentimento todos os dias te oferecido e que tu, tão subtilmente, não fazes caso. Não entendo a tua indiferença, vingança não será, afinal de contas, castiga-las a elas, a todas as outras, não passa por mim. Enquanto isso vou aceitando e somando todas as tuas friezas, esperando, pacientemente, que um dia olhes para mim e percebas tudo o que não fizeste.

deixo-te os parabéns e lamento, uma vez mais, a tua ausência.