
À minha frente jaz um piano - jaz, porque o olho mais inocente consegue entender, a nu, que este perdeu a sua harmonia há muito. Imagino-me a toca-lo, a sua melodia a transportar-me. As teclas, essas, ora estão encravadas ora faltam. Outras, por sua vez, por mais que premidas, não respondem. Surdamente, tentei falar com ele. Translucidamente, fez-me ver que não fazia tenções de me responder. Percebi a sua agonia e deitei-me sobre ele. Agora, já não estávamos sozinhos.
(adaptado)

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