Estou sentada no chão do quarto escuro com o intuito de sentir o frio do chão. Faz-me sentir um pouco viva dado que de tanto sentir emoções, acho que já nem as sinto. Mas o frio torna-se numa percepção agradavelmente desagradavel, porque posso senti-lo. Penso em buscar uma manta, ou uma camisola, mas deixo estar assim. Esta sou eu, sentada no chão do quarto, contigo junto a mim. Ás vezes penso que seria tão mais fácil se simplesmente te odiasse, ou se fosse tão simples quanto virar uma página e esquecer o teu nome. O tempo lá fora está cinzento. E mesmo que não estivesse literalmente cinzento, estaria. São assim todos os dias longe de ti. Ainda que tu não o compreendas, ainda que tu não saibas de que cor pincelo os dias em que não estou contigo, ainda que nunca o vás querer saber. Pego no diário que vê nele todos as cartas para ti, e viro a folha. Concentro-me na nova folha em branco. Como é que te chamas?
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