sexta-feira, 5 de setembro de 2008

o que a gente precisa é tomar um banho de chuva


Já tinha saudades das ruas de lisboa encharcadas pela chuva. Trouxe recordações que me soaram tão boas que dei por mim a perceber que eu não tinha a minima ideia de que era tão feliz, naqueles tempos. Tempo de Dezembro, de correr de telhado a telhado, para abrigar da chuva, para não encharcar mais um pouco o cabelo, para não colar ainda mais a roupa ao corpo. E depois parava em frente às montras da Almirante Reis e via o meu reflexo, e ria-me perdidamente, e adorava aquela imagem. O cabelo colado na cara, selvagenmente despenteado, as calças de ganga mais escuras do que me lembrava que elas realmente eram, o casaco a ceder e a ficar lentamente, também ele, encharcado. Não era desagradável. Corríamos, eu e ela, a melhor amiga, que nem perdidas pelas ruas, tentado evitar as poças mas sempre acabando em cima delas, a sentir as meias ensopadas dentro dos all stars. E parávamos e riamos e comentávamos as tuas reacções se me visses assim. Tenho a certeza que terias gostado, também tu gostavas da chuva, tanto ou mais do que eu. Hoje, não se trata mais de ti. Não te substitui, nunca te substitui. Sabes que ficaste e tenho pena que te feches em todas as copas e não me dês a oportunidade de falar sobre o outro. E tu sabes que eu preciso de falar. E tu sabes também o que dirias, que ele não é para mim. Talvez eu também o saiba...

Apesar de já não se tratar mais de ti, hoje lembrei-me e hoje fizeste-me falta.
Tu e a chuva andam sempre juntos de mãos dadas.

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