domingo, 30 de novembro de 2008

saudades.

Tenho saudades. Saudades das noites de verão. Saudades dos 16 anos, de jurar que nunca ia haver amanhã, que a noite ia continuar assim para sempre na loucura viva de quem sabe sentir e dançar sem ter de provar nada a ninguém. Tenho saudades de sentir, tenho saudades de escrever. A falta que me fazem as manchas de letras que me acorriam nas viagens de comboio. A longa imaginação já não tem saída, as letras fogem, os castelos já não se constroem e ainda se desfazem os que já estavam erguidos. Tenho saudades de rir, de memorizar, de lembrar, de beber todos os segundos do dia e reporta-los deitada na cama na folha branca tão minha, tão eu. Tenho saudades de reconhecer Fernando Pessoa como amigo e vizinho do lado, de cometer loucuras e de cantar a vida. Tenho saudades de ser eu, a de sempre.

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