sexta-feira, 14 de novembro de 2008
escuro.
Vagueias pela rua, noite posta. Um ou outro carro passa em grandes intervalos, só te sentes parte da realidade pelos candeeiros acesos que iluminam as casas dos passeios, abandonadas. E não entendes, não entendes como se eliminam assim as coisas e deixam-nas ficar abandonadas. O frio corrói, apertas as mãos com mais força dentro do casaco, aconhegas o rosto para mais perto do cachecol. Num momento de subtil traição, os candeeiros apagam-se. Todos. Num mesmo tempo. Andas mais rápido, não queres sentir o inconsciente transportar-te para as incontáveis noites sentado na cama, no escuro, com medo. Dás longos passos e quando te apercebes vais cantando baixinho, foi o que te ensinaram nos primeiros anos para afastar o silêncio e o preto em volta. E de longe aproximam-se faróis, a luz aquece-te um pouco mais. Mas distante de tanta gente que quando te olha só vê as rugas, deparas-te com faróis que te iluminam e só te vêm o medo. Do escuro? Não é do escuro que tens medo.
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