sábado, 13 de setembro de 2008

de ti, dizem que és vicio.


Ela perde-se todas as noites. Manhãs não tem, manhãs usa-as para andar mergulhada num mundo eterno de sonhos onde sabe que tudo vai correr bem. As tardes usa-as para contar minutos e segundos, para poder passar o tempo. Como quem conta carros à janela, como quem conta quantas gaivotas vê na praia. Ela conta as horas. Ela conta as horas porque anseia pela noite. Quando fica escuro, ela sabe que o encontra. Ela sabe que ele a ama quando o mundo dorme. Quando o mundo não pode ver que ele a ama. Quando só existe ele mesmo, com ela. E ela perde-se nos braços dele, e nas palavras tão subtilmente escritas no ar, como promessas, como contratos. Guarda o cheiro dele, porque quando ele se vai é so o que fica, entranhado na pele. Tenta guardar as palavras, tenta reter os minutos com ele mas tudo se vai. E de manhã ela sonha com ele. E de tarde devora os minutos e os segundos para que passem mais rápidos e caia o pano escuro de novo, para que ele a possa envolver nos braços outra vez. Ela vive para isso.

"deixa-o. larga isso duma vez. é um vicio."

Ela sabe. Mas e então?

1 comentário:

kalikera disse...

ATTENTION DEFICIT: Say Hello To My Little Friend